Noite ruim

Não consigo dormir

É outro daqueles dias

Dias em que a insônia me castiga

Dias em que a tristeza me vence

É que a cabeça dói mais quando todos dormem

E esse coração pesado não sossega

Não é nada de mais

Só uma noite ruim

Às vezes penso demais no passado

Eu sei

Devia ter deixado pra lá

Sinto saudades de mim

Sinto saudade de nós

O “nós” que nunca existiu

Ou só existiu na minha mente

Mas agora já é tarde

Tudo me foi tarde

Não é culpa de ninguém

Nem há o que se perdoar

Apenas o que se perder.

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E então, que quereis?…

“Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.”

Vladimir Maiakovski

vou indo

aquela pressa de sempre

sabe como é

nunca saber o que o dia me reserva

ou talvez saber demais

um momento de distração

uma bobagem qualquer

rir sem motivo

algo pra me fazer sentir vivo

e esquecer o que me deixou triste

apreciar a vista da janela

estar num lugar só meu

receber notícias de quem está longe

e abraços de quem está perto

esperar pelo fim do mês

que sempre passa voando

sedento por dias felizes

acordar com o teu sono ao meu lado

e não pensar em nada

que não seja vontade de ficar.