Não sei dizer onde nas ruas se demora o meu coração.

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Paternidade (5)

Falta pouco para o nascimento da minha filha e eu ainda me sinto perdido entre tantas informações, expectativas e sentimentos. Estou ciente dos desafios que virão com essa nova etapa da minha vida. Mas ainda não consegui achar o meu lugar nisso tudo. Já não conseguia antes. Aquele velho incômodo persiste dentro de mim, latente, adormecido. Nunca vai embora de vez. Nunca me deixa em paz. Eu só queria me sentir satisfeito com as coisas. Parece sempre faltar algo. Sempre. Tenho medo de estar depositando nos ombros de uma menininha inocente que ainda nem nasceu a responsabilidade por uma alegria de viver que só depende de mim. Só depende de mim.

É tão difícil organizar as coisas dentro deste caos pensante que é a minha cabeça. Imagino que também seja assim com outras pessoas. Na verdade, o desafio não é bem organizar o caos, mas encontrar alguma paz de espírito no meio dele. Sinto cada vez mais essa necessidade de me apaziguar interiormente. Queria voltar a ser aquela pessoa simpática e criativa que penso ter sido um dia. Mas já me vou habituando a essa nova realidade que, volta e meia, pega-me desprevenido. Felizmente, a capacidade de observar e de retirar o melhor dos momentos vividos é algo que me caracteriza.

Paternidade (3)

Preocupa-me a velocidade com que o tempo passa. Daqui a poucos meses a minha vida vai mudar completamente com a chegada de alguém que eu ainda não conheço, mas que já amo incondicionalmente. E parece ridículo amar assim. Quase tão ridículo quanto conversar com ela através da barriga da mãe. Sinto-me um poço sem fundo de ansiedade, variando entre a euforia e o peso da responsabilidade. Acordo no meio da noite e fico preocupado se ela vai ter roupas ou fraldas suficientes. Quero deixar tudo pronto. Quero estar pronto. Quero ser o melhor pai do mundo.