Tudo o que eu digo parece assumir um tom de desabafo.

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Que sensação estranha dar aos outros os conselhos que você mesmo precisaria ouvir…

vou indo

aquela pressa de sempre

sabe como é

nunca saber o que o dia me reserva

ou talvez saber demais

um momento de distração

uma bobagem qualquer

rir sem motivo

algo pra me fazer sentir vivo

e esquecer o que me deixou triste

apreciar a vista da janela

estar num lugar só meu

receber notícias de quem está longe

e abraços de quem está perto

esperar pelo fim do mês

que sempre passa voando

sedento por dias felizes

acordar com o teu sono ao meu lado

e não pensar em nada

que não seja vontade de ficar.

Será mesmo tão difícil envelhecer com dignidade? Eu não sou mais um garotinho. Não quero ser um garotinho. Mas também não quero ser um homem do passado. Talvez eu seja mais um clichê, mais um desses “adolescentes mal-resolvidos”, “crise de meia-idade”, chame do que for. Não me tenha por alienado. Apenas não me imagino sentado no sofá, assistindo aos noticiários com um semblante preocupado por tudo, como quem só vê trevas e maldade cobrindo o mundo. Prefiro focar no que há de bom. Nas coisas que me fazem feliz. Mesmo que elas não pertençam mais ao meu tempo. Do tempo de juventude, só me resta agora o espírito. E talvez, isto me baste.

Eu diria que a frase que mais proferi a mim mesmo durante este ano foi “vai melhorar”, repetindo-a mentalmente quase como um mantra ao longo dos meses, diante de cada adversidade, de cada choro escondido, de cada noite mal dormida. Como se tentasse me convencer de algo.

“Vai melhorar. Vai passar. Vai ficar tudo bem.”

Não quero parecer ingrato. Mas ainda não estou convencido. Então sigo repetindo essas palavras, falso otimista que sou.