Um lugar que não existe

Eu quero uma casa no campo. Afastada o bastante de toda a poluição e confusão da cidade grande, mas nem tão longe que eu me sinta desamparado de civilização. Ampla, arejada, aconchegante. Bem iluminada, com muitas plantas ao redor, talvez até um cachorro a passear comigo pelos pés de laranja que plantarei assim que puder e, quando for a época certa, tomarei um delicioso suco na varanda, deitado na rede. Nas noites de verão, sentarei na varanda e tocarei violão para a lua, cantando sem qualquer pudor da minha voz, e nas noites de inverno, fecharei as pesadas janelas de madeira e ficarei horas no sofá da sala a ler um livro. Sonho muito com essa casa que nunca encontro nos classificados da vida. Um lugar especial, que eu possa chamar de meu, que eu possa chamar de lar. Onde eu não precise ser ninguém. Onde ao final do dia eu não precise de justificativas. Onde eu possa deitar o meu sossego sem me importar com mais nada ou ninguém. Mas esse lugar só existe dentro de mim.

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Pêndulo

Na calma dos dias
Vou acontecendo
Ou deixando estar
Ecoa dentro de mim
O constante som dos outros
Mais adiante, vejo o meu corpo
A balançar na continuidade
Dos ponteiros de um relógio
E me bate este nervoso
Esta impaciência habitual
De querer de tudo
Sem pensar em nada
Que já não seja residual.