Sou um grande equívoco ao anoitecer

À noite sou excesso transbordante. Minhas paredes desabam, as barragens se rompem, as grades já não prendem. Sou um grande equívoco ao anoitecer. Sou muitas pessoas e cada uma delas quer transpor suas próprias fronteiras. Sou um céu parado na normalidade das coisas, na confusão indiferenciada dos meus pensamentos mais secretos. Porque é no doce abraço do escuro que a verdade emerge dentro de mim. É na negritude imóvel da casa que badala o som da meia-noite por dentro de mim. Cresce essa urgência esmagadora de desaprender as palavras e o silêncio beira o insuportável. É quando a noite chega que encaro os meus desabafos interiores e tento revelar e dar nome a todas as tristezas. É na escuridão da noite que o meu rosto vira uma tela em branco, a ser preenchida com a imagem rigorosa e verdadeira de tudo o que eu sinto.

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Publicado por

Chico

33, perdas & danos

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