Somos únicos.

Isso não significa que uns são mais ou menos especiais que outros, mas que todos tem suas particularidades. Não importam as caraterísticas físicas, o estado civil, a conta corrente, a geografia e o time do coração. O fato é que todos sentem a realidade a sua própria maneira. O que nos torna verdadeiramente diferentes uns dos outros é a forma como sentimos o que vivemos e como agimos na consequência disso. 

Cada qual é como é. Por isso, desejar que o outro sinta a realidade exatamente da mesma forma que nós, e interaja com ela segundo o nosso sentir, não só é desejar o impossível, como também não é lá muito saudável.

A solidão não é – nem nunca foi – estarmos sozinhos. É nos sentirmos sozinhos. 

Não me incomodo quando estou só. Diria que até gosto. Estou só e pronto.

Mas às vezes me sinto só. Só de achar que ninguém pode me entender. Só de não conseguir abrir meu coração. E é aí que começo a me preocupar.

A pior solidão vem dos outros.

“(…) All of this frustrates me bad
Cause I can’t stay mad at you or change anything that I had
She told me don’t think like that, it’s really not that bad
I hope this makes you sad
I hope this makes you sad…”

ESP/EXP

Vejo esperança e expectativa como conceitos diferentes. A esperança é bem parecida com um sonho. É um desejo, uma vontade, mas que pode nunca acontecer e não ficamos chateados com isso. Afinal, era tudo um sonho. Já a expectativa, seja em relação a nós, aos os outros ou a alguma coisa, eu vejo como algo mais palpável, mais próximo do real. E que nos leva a cobranças e desilusões, caso não se realize.

Mas há um fator que sempre esquecemos: não controlamos tudo. Há coisas que estão demasiado longe. Há coisas que não estão nas nossas mãos, independem de nós.

Tenho esperança aos montes, sobre várias coisas, mas sempre de uma forma consciente, racional. Sei que muitos dos meus sonhos não são, nem nunca vão ser reais. Nem por isso que deixo de sonhar.

Expectativa sempre a tive, e sempre sofri muito com isso. Frustração após frustração, desilusão atrás de desilusão. Até que, por várias razões, desde conversas com outras pessoas à consciencialização de que há coisas que estão fora do meu alcance, comecei a não ter, a não esperar nada. É um processo lento, demorado, que no início soa quase falso, porque parece fingimento, não sentir, não se animar, não ansiar por algo. O lado bom é que você não se desaponta mais com nada. O lado ruim é que isto te torna cínico. E eu ainda sinto falta de me empolgar verdadeiramente com alguma coisa.

Às vezes a esperança tende a se tornar expectativa e isso é bem difícil de lidar. Porque se os sonhos se tornarem algo que esperamos que de fato aconteçam, perdemos o chão quando eles não se realizam. Mas se deixarmos de sonhar, o que mais nos resta?

Não que eu viva no mundo dos sonhos. Mas estes preenchem um espaço dentro de mim.